24 de novembro de 2011

ACHAM QUE A ELECTRICIDADE ESTÁ CARA?....

O QUE PAGAMOS NA FACTURA DA ELECTRICIDADE....

Caros amigos:
Vocês por acaso sabem o que pagam na factura da electricidade? 
Eu também fiz a mesma pergunta antes de saber o que andamos a pagar. 
Vejam, neste exemplo duma factura de cerca de 66,50 €.
O que se paga:
- 3,8 €, correspondentes a 6% do IVA (vamos passar  a pagar 23%);
- 4,5 €, correspondente a 7% de Taxa para a RDP e RTP (para que Malatos, Jorge Gabrieis, Catarinas Furtados e quejandos possam receber mais de 10.000 euros por mês;
- 35,6 €, para subsídios vários, que correspondem a 53% do total da factura (em 2011 estes subsídios vários já atingiram 2.500 M€. Para não se perderem são dois mil milhões de Euros)
- 22,6 € correspondente realmente ao EFECTIVO consumo efectuado, ou seja 34% do total da factura. Desta forma, apenas consumimos 22,6 € de electricidade, mas pagamos no total 66,50 €.
Mas agora vamos ver o que são os subsídios vários, ou seja, os 53% do total da factura que pagamos, e que este ano já vão em 2.500 M€. 
Permaneçam sentados para não caírem de cu:
3% são a harmonização tarifária para os Açores e Madeira, ou seja, e um esforço que o país (TODOS NÓS) fazemos pela insularidade, dos madeirenses e açorianos, para que estes tenham electricidade mais barata. Isto é, NÓS já pagamos durante 2011, 75 M€ para aqueles ilhéus terem a electricidade mais barata!!!!!!!!!!!!!!!  E depois vem a besta do Alberto João Jardim VOMITAR em cima de nós todos e morder na mão que lhe dá o pão.
- 10% para rendas aos Municípios e Autarquias. Mas que merda vem a ser esta renda? Eu explico: a EDP (TODOS NÓS) pagamos aos Municípios e Autarquias uma renda sobre os terrenos, por onde passam os cabos de alta tensão. Isto é, TODOS NÓS, já pagamos durante 2011, 250 M€ aos Municípios e Autarquias por aquela renda.
- 30% para compensação aos operadores. Ou seja, TODOS NÓS, já pagamos em 2011, 750 M€ para a EDP, Tejo Energia e Turbo Gás.
- 50% para o investimento nas energias renováveis. Aqueles incentivos que o Sócrates deu para o investimento nas energias renováveis e que depois era descontado no IRS, também o pagamos. Ou seja, mais uns 1.250 M€.
- 7% de outros custos incluídos na tarifa, ou sejam 175 M€Que custos são estes? São Custos de funcionamento da Autoridade da Concorrência, custos de funcionamento da ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Eléctricos), planos de promoção do Desempenho Ambiental da responsabilidade da ESE e planos de promoção e eficiência no consumo, também da responsabilidade da ERSE.
Estão esclarecidos? Isto é uma vergonha. NÓS TODOS pagamos tudo!
Pagamos para os açorianos e madeirenses terem electricidade mais barata, pagamos aos Municípios e Autarquias, para além de IMI's, IRS's, IVA's em tudo que compramos e outras taxas... somos sugados, chupados, dissecados...
Passem a todos os v/ amigos e conhecidos.
Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que às vezes fico pensando, se a burrice não será uma ciência. 
                                                                                               
                                                                                             
'' António Aleixo''

4 de novembro de 2011

Entre a tolerância e a repressão absoluta

                                                              Corpos de Alugar
     É uma constante da história da humanidade, mas sempre escandalizou os bem-pensantes.
A sexóloga Valéri Tasso, num artigo magnífico na SUPERinteressante 163/Nov/2011 (Edição Portuguesa) recorda as metamorfoses históricas da prostituição.


Certo dia, Keith Chen, professor associado de economia na Universidade de Yale (Estados Unidos), tentou ensinar a alguns símios o que era o dinheiro. Assim, reuniu sete macacos capuchinhos e fê-los conviver numa jaula grande e semi-aberta. Regularmente, oferecia-lhes um disco de metal perfurado no meio e propunha-lhes um acordo: de cada vez que um dos primatas lhe devolvesse a peça, dava-lhe uvas ou quadradinhos de gelatina em jeito de recompensa. Os animais entenderam facilmente o jogo, mas o economista norte-americano começou a complicar as coisas: aumentou o número de moedas necessário para obter o brinde alimentar e oferecia diferentes petiscos a preços distintos, até que um dos macacos, chamado Félix, foi directamente à fonte dos discos metálicos e pegou nos doze que iam ser distribuídos pelos seus congéneres. Quando os investigadores entraram na jaula, os símios recusaram devolvê-los, demonstrando que conheciam o valor dos bens para efectuar a troca. Todavia, o aspecto mais curioso foi o que aconteceu num canto da jaula, quando Chen observou um macho a entregar uma das moedas a uma fêmea. Pensou, instantaneamente, no altruísmo do gesto, mas verificou que os dois animais se punham, de imediato, a praticar sexo com entusiasmo. Quando o ato carnal terminou, a fêmea aproximou-se de Chen e comprou-lhe um cacho de uvas. Acabava de se prostituir?
Uma surpresa semelhante aguardava os etólogos Lloyd Davis, da Universidade de Otago (Nova Zelândia), e Fiona Hunter, da Universidade de Cambridge (Reino Unido), quando estudavam uma colónia de pinguins-de-adélia na Antárctida. Devido à humidade existente na zona, as aves vêem-se obrigadas a construir os ninhos sobre montículos de pedrinhas. O problema é que os seixos não abundam por ali, pelo que constituem um bem precioso. A reacção habitual perante a escassez de matéria-prima é o roubo. Assim, quando um exemplar se aproxima do local de nidificação de outro e tira pedras, dá origem ao previsível conflito no seio da comunidade. No entanto, os cientistas observaram que algumas fêmeas voltavam com os troféus sem que a ordem social do grupo se alterasse. Concentraram a atenção num destes exemplares femininos e constataram que obtinha pedrinhas sem entrar em disputa com os seus proprietários em troca de acasalar com eles. Nesse caso, as fêmeas de pinguim também se prostituem?
Por prostituição, queremos dizer a actividade profissional que consiste na prestação de um serviço de carácter sexual a troco de uma retribuição económica. Que os seres humanos, os pinguins, os macacos capuchinhos ou os dragões-de-komodo executem todas as suas acções a pensar numa recompensa (económica, moral, intelectual, neurótica) é algo mais do que evidente. Sem a possibilidade de satisfação, não há acto.
                                                        Por interesse te quero
Quando nos juntamos com alguém (e essa união também inclui, obviamente, os corpos), a aspiração de benefício está sempre subjacente. Tanto faz se o laço é formalmente consagrado como matrimonial ou não, se for estabelecido “para toda a vida” ou durar apenas uma noite, ou se o estado emocional que o promoveu é um desejo libidinoso ou um amor sublime (não será este o apogeu do anseio de recompensa?). O certo é que, por detrás de qualquer associação, há sempre uma expectativa de gratificação; quando esta não é cumprida e achamos que não iremos obtê-la ou procuramos outro tipo de compensação, a ligação dissolve-se: põe-se fim à relação ou o amor acaba.
Encontro no Mosteiro


... O comércio carnal possui múltiplos rostos, desde os anúncios mais sórdidos à sofisticação dos lugarejos de luxo.
…Durante a Baixa Idade Média, houve uma certa permissividade e alguns conventos ofereciam os serviços de meretrizes.
… Na origem, as cortesãs eram mulheres de condição humilde mantidas por nobres. Algumas não se destacaram apenas pelas artes eróticas.





A história de algumas grandes mulheres ficou associada ao exercício da prostituição, por vezes com fundamento; outras, para difamar os respectivos méritos.

Aspásia de Mileto (século V a.C.) - O seu nome será sempre associado ao de Péricles, que seduziu no papel de Hetera, uma prostituta de nível superior. Mulher brilhante de vasta cultura e retórica requintada, frequentou e protegeu os maiores intelectuais da época, de Sócrates a Platão. A sua figura inspirou escritores, historiadores e pensadores.
Friné em frente ao Areópago, 1861,Jean-Léon Gérôme.

Friné (século IV a. C.) - Alcunha da cortesã beócia Mnésareté. Foi amante e musa do escultor Praxíteles, que a escolheu para modelo da sua Afrodite de Cnido, talvez a primeira escultura grega em que uma deusa surge quase nua. Acusada de perversão e falta de pudor, foi defendida pelo maior retórico da época, Hipérides. O orador, ao perceber que os seus argumentos não convenciam, pediu a Friné para tirar a roupa. Os juízes absolveram-na, pois não se atreveram a privar o mundo da sua beleza.


Taís (século IV a.C.) - Embora tivesse sido contratada pelo soberano egípcio Ptolomeu I para o acompanhar na campanha de Alexandre Magno contra os persas, acabou por partilhar os seus encantos com ambos. São atribuídos a Taís acontecimentos como o incêndio de Persépolis. Em A Divina Comédia, Dante condenou-a a habitar o Oitavo Circulo do Inferno.
Maria Madalena





Maria Madalena (século I) - Figura conceptual, mais do que histórica, mencionada no Novo Testamento e em evangelhos apócrifos. Foi discípula e talvez companheira de Jesus. Representa a figura da prostituta redimida pela mensagem de Cristo.
Messalina (século I) - Esposa e conselheira do imperador Cláudio, dizia-se que, não contente com os seus inúmeros amantes, se prostituiu num bairro humilde de Roma. Teria também desafiado o grémio de cortesãs para ver quem era capaz de satisfazer mais homens numa noite. Venceu. Foi decapitada quando se descobriu que instigou uma conspiração contra o marido.
Teodora (século VI) - Passou de humilde prostituta a imperatriz bizantina. Sob o reinado do marido, Justiniano I, promulgou a primeira legislação de que se tem conhecimento sobre o aborto, além de uma lei do divórcio que permitia ser a mulher a pedi-lo. No entanto, o historiador Procópio descreve-a como sendo um animal luxurioso guiado por instintos carnais.
Madame de Pompadour (século XVIII) - Esta cortesã do reinado de Luís XV de França adquiriu o título de duquesa e marquesa de Pompadour e marquesa de Menars. Culta e sofisticada, protegeu os enciclopedistas.
Madame Claude (século XX) - Nascida com o nome de Fernande Grudet, em 1923, fundou um bordel de luxo em Paris, nos anos 60. Foi a primeira a fazer com que as suas mulheres comparecessem em encontros sexuais em qualquer parte do mundo mediante marcação telefónica prévia, criando assim o termo (ainda utilizado) de call girl.

...A família tradicional, por exemplo, essa unidade cultural tão profundamente enraizada na nossa couraça social, política e económica (e que, como um dos pilares de suporte, sustenta o imenso edifício moral que criámos), é também a viga que define e suporta o ofício da prostituição. Não é por acaso que ambas as instituições possuem a mesma antiguidade.
No entanto, a erradicação do comércio carnal (tal como o definimos no início), no caso de ser naturalmente possível, passaria irremediavelmente pela necessidade de construir a sociedade de outra forma, por procurar novas arquitecturas. Por outro lado, para a regulamentação ser eficaz e plácida, terá de ser acompanhada pela adopção de uma postura moral (cultural) que a legitime plenamente.
Enquanto nem uma coisa nem outra se verificarem, continuaremos mergulhados na insensatez e na desordem; e a meretriz (nome que provém etimologicamente do latim mereo, "merecedora do que ganha") será uma excluída necessária, em vez de uma recordação do passado ou de uma profissão assumida. 


Artigo Completo: SUPERinteressante Nº163 Novembro 2011 (Edição Portuguesa)


1 de novembro de 2011

Wikileaks: fim de um embuste

Com a libertação de Julian Assange, a possível retracção da Suécia quanto à acusação de estupro e a suspensão das revelações por problemas financeiros, lembramos o que foi Wikileaks: revelações que toda a gente sabia, revelações bombásticas sobre a banca que nunca viram o dia, opacidade da sua fundação, passado nubeloso do seu fundador e o obscuro papel dos Estados Unidos.
 
 

 Rapidamente as revelações bombásticas interdiplomáticas revelaram ser apenas verdadeiros "mexericos" dignos de qualquer revista cor-de-rosa: Sarkozy é um palhaço, Chávez é louco, Berlusconi é vaidoso, Putin é machista, Khadafi é hipocondríaco,...

Essas revelações legitimavam as guerras guerras americanas perante a opinião pública, os Estados Unidos tinham de as tornar aceitáveis, necessárias, quase santas.

Wikileaks funciona assim como um contrapoder necessário para dar credibilidade ao poder. Sim, as guerras são sangrentas, sim muitos erros são cometidos, como sempre foram ao longo da história, mas no fundo elas são necessárias. As guerras dos Estados Unidos são assim reveladas com os seus defeitos, por um organismo "independente" e "ético" (Wikileaks) que no fundo as legitima e as desculpa, sem nunca as por em questão.

http://octopedia.blogspot.com/2010/11/wikileaks-fraude.html
 
A fuga de 91.000 páginas vindas directamente do governo e do estado maior americano, ensina-nos que a guerra é mau, que civis inocentes foram mortos e que os Estados Unidos realizam operações militares secretas para matar líderes inimigos.
 
Para quê divulgar “fugas” que apenas servem os interesses americanos, fornecendo argumentos que podem ser usados pelo governo dos E.U.A para estender suas guerras actuais, fugas que não contem qualquer revelação constrangedora.
 
Na realidade,  Wikileaks é um contra-fogo, entrou na estratégia de desinformação do governo E.U.A. Não denuncia nada que já não se saiba ou que tenha real importância.

 
Os reais objectivos de Wikileaks não são claros, o seu site é nebuloso, o seu fundador opaco. Este tipo de divulgação de documentos ditos secretos não é transparente.
O fluxo de informação parece demasiado coordenado e orquestrado. Mais parece que estamos perante um projecto secreto, de manipulação mediática, fabricado ao mais alto nível.

Muita gente reparou que não existe uma única referência a Israel, país amigo dos Estados Unidos. A escolha dos jornais para divulgarem as revelações de Wikileaks são todos controlados por grupos financeiros americanos.

O passado de Julian Assange tem factos curiosos. Um deles prende-se com o episódio em que apenas saído da adolescência, já ter sido acusado de ter penetrado nos ficheiros secretos do Pentágono. Será credível que um hacker deste calibre não fosse vigiado de perto pela CIA e tenha conseguido criar um site e recolher documentos secretos sem o conhecimento e a intervenção desses serviços secretos.
 
 
No dia 20 de dezembro de 2010, Wikileaks revela uma história rocambolesca que mais parece um péssimo filme policial da série B, onde as personagens são: um angolano, um amigo português, um ex-general russo e um bloco de urânio. Pede ler toda a história no link seguinte:




Enquanto os media continuavam a divulgar revelações antigas e incompletas, a credibilidade do bom Julian Assange, alto, louro e de olhos azuis, tinha-se tornado num perfeito mártir quando foi acusado de estupro.
Muitos esqueciam um simples pormenor: se Julian Assange era assim tão perigoso para os Estados Unidos, por que é que ainda estava vivo



Por fim, um texto de Daniel Estulin esclarece quem é o enigmático Julian Assange:



 
Por: Octopus



 



 

28 de outubro de 2011

O Quarto Reich ou o Protocolo de Budapeste

Adam LeBor, autor de The Budapest Protocol  apresenta o seu livro de forma concisa mas fascinante e dizendo que é “ficção” acrescenta logo que ele se baseia em documentos reais da “intelligence” americana de 1944… Estamos, portanto, entendidos sobre a “ficção” e os seus fundamentos e origens. 
O livro mereceu, nesta edição portuguesa, uma certeira crítica de Filipe Luís, na ‘Visão’. Diz o redactor da revista que “a guerra pode já ter começado”… Não da forma que se espera que as guerras comecem mas de uma outra: a guerra económica. E acrescenta: “No livro, Adam Lebor ficciona sobre um suposto directório alemão, que teria como missão restabelecer o domínio da Alemanha, não pela força das armas, mas da economia”. “Suposto directório…” Sim talvez seja “suposto”. Mas há anos que gente ligada à secreta inglesa garante que esse “directório” existe mesmo. E vão, antecipadamente, revelando os passos seguintes da sua estratégia. E não se têm enganado… Os livros, às vezes, têm destas coisas, é através da “ficção” que se chega à realidade e aos conceitos teóricos que a explicam. Como este de “guerra económica”… Welcome, Filipe Luís. 
Prossegue o crítico: “a inflamada declaração de Angela Merkel, numa entrevista à televisão pública alemã, ARD, em que sugere a perda de soberania para os países incumpridores das metas orçamentais, bem como a revelação sobre o papel da célebre família alemã Quandt, durante o Terceiro Reich, ligam-se, como peças de puzzle, a uma cadeia de coincidências inquietantes. Gunther Quandt foi, nos anos 40, o patriarca de uma família que ainda hoje controla a BMW e gere uma fortuna de 20 mil milhões de euros. Compaghon de route de Hitler, filiado no partido Nazi, relacionado com Joseph Goebbels, Quandt beneficiou, como quase todos os barões da pesada indústria alemã, de mão-de-obra escrava, recrutada entre judeus, polacos, checos, húngaros, russos, mas também franceses e belgas. Depois da guerra, um seu filho, Herbert, também envolvido com Hitler, salvou a BMW da insolvência, tornando-se, no final dos anos 50, uma das grandes figuras do milagre económico alemão. Esta investigação, que iliba a BMW mas não o antigo chefe do clã Quandt, pode ser a abertura de uma verdadeira caixa de Pandora. Afinal, o poderio da indústria alemã assentaria diretamente num sistema bélico baseado na escravatura, na pilhagem e no massacre. E os seus beneficiários nunca teriam sido punidos, nem os seus empórios desmantelados.  As discussões do pós-Guerra, incluíam, para alguns estrategas, a desindustrialização pura e simples da Alemanha – algo que o Plano Marshal, as necessidades da Guerra Fria e os fundadores da Comunidade Económica Europeia evitaram. Assim, o poderio teutónico manteve-se como motor da Europa. Gunther e Herbert Quandt foram protagonistas deste desfecho.
Esta história invoca um romance recente de um jornalista e escritor de origem britânica, a viver na Hungria, intitulado “O protocolo Budapeste”. No livro, Adam Lebor ficciona sobre um suposto directório alemão, que teria como missão restabelecer o domínio da Alemanha, não pela força das armas, mas da economia. Um dos passos fulcrais seria o da criação de uma moeda única que obrigasse os países a submeterem-se a uma ditadura orçamental imposta desde Berlim. O outro, descapitalizar os Estados periféricos, provocar o seu endividamento, atacando-os, depois, pela asfixia dos juros da dívida, de forma a passar a controlar, por preços de saldo, empresas estatais estratégicas, através de privatizações forçadas. Para isso, o directório faria eleger governos dóceis em toda a Europa, munindo-se de políticos-fantoche em cargos decisivos em Bruxelas – presidência da Comissão e, finalmente, presidência da União Europeia. 
Adam Lebor não é português – nem a narração da sua trama se desenvolve cá. Mas os pontos de contacto com a realidade, tão eloquentemente avivada pelas declarações de Merkel, são irresistíveis. Aliás, “não é muito inteligente imaginar que numa casa tão apinhada como a Europa, uma comunidade de povos seja capaz de manter diferentes sistemas legais e diferentes conceitos legais durante muito tempo.” Quem disse isto foi Adolf Hitler. A pax germânica seria o destino de “um continente em paz, livre das suas barreiras e obstáculos, onde a história e a geografia se encontram, finalmente, reconciliadas” – palavras de Giscard d’Estaing, redator do projeto de Constituição europeia. 
É um facto que a Europa aparenta estar em paz. Mas a guerra pode ter já recomeçado.”

Fonte:    Inteligência Económica 
Editora: Alfabeto

27 de outubro de 2011

As mentiras que justificam o elevado preço dos combustíveis em Portugal


Apesar da crise económica, os lucros da Galp não param de subir. Subida de 43% em 2010 em relação ao ano anterior, ou seja 306 milhões de euros, sendo que a Galp domina mais de 50% do mercado de combustíveis em Portugal. 
A pergunta que impõe é: porque é que os preços de venda ao público são tão elevados? As petrolíferas defendem-se com argumentos amplificados por alguns media.
                                                                                                    
A principal razão dos elevados preços de venda ao público dos combustíveis em Portugal é a carga fiscal.


Falso. É verdade que a carga fiscal é elevada, mas não mais do que na média dos países europeus, bem pelo contrário. No gasóleo a carga fiscal era de 48,2% do preço de venda em 2010, enquanto a média da União Europeia era de 50,1%. Na gasolina era de 59,6% em Portugal, sendo ligeiramente inferior na União Europeia: 57,2%. A venda de gasóleo é 3 vezes superior à da gasolina.

A Galp afirma não deter o monopólio da refinação no país.

Falso. Em Portugal existem duas refinarias: a de Sines e a do Porto, sendo a de Sines uma das maiores da Europa. Ambas são da Galp. Um aumento dos lucros da Galp deve-se ao facto da margem de refinação ter vindo a aumentar, não sendo sujeita a qualquer controlo, quer do governo, quer da Autoridade da Concorrência, dos preços até à saída da rafinaria.

 Assim, entre 2009 e 2010 o aumento da margem de refinação teve um aumento de 80%, passando de 1,5 dólares para 2,6 dólares por barril.

A variação do preço do combustíveis reflete a variação do preço mundial do petróleo.

Falso. Parte dos elevados lucros provem do chamado “efeito stock” que resultam desta empresa ter adquirido o petróleo que consumiu na produção de combustíveis a um preço inferior àquele que depois facturou aos consumidores. Esses lucros são assim obtidos de forma especulativa e à custa dos consumidores. Além disso, as descida do preços dos combustíveis nunca acompanha as descidas do preços do petróleo, apesar do inverso acontecer.

As petrolíferas dizem não existir qualquer concertação de preços em relação aos combustíveis.

Falso. Apesar da Autoridade da Concorrência continuar a afirmar não encontrar indícios de concertação de preços no sector dos combustíveis, a simples abertura por parte da Galp de um posto de gasolina de baixo custo, no ano passado, vem dar razão a quem pensa o contrário.
É evidente a inoperância do regulador da concorrência português face aos excessivos preços dos combustíveis. O presidente do ACP vai mais longe numa entrevista à Lusa: «O presidente e os órgãos da Autoridade da Concorrência são nomeados pelo Governo e 28 por cento dos impostos dos portugueses vêm do sector automóvel. Não convém ao Governo que a Autoridade da Concorrência vá até ao fundo da questão».
O facto de os automobilistas verem preços iguais nas bombas de combustíveis é explicado por Manuel Sebastião, presidente da Autoridade da Concorrência, aos deputados da Comissão de Assuntos Económicos e Energia: ""Copiar os preços não constitui qualquer ilícito"...

Isto só demonstra que Portugal detém a maior taxa Europeia de Terrorismo Económico junto da sua população. Temos dos salários mínimos mais baixos da Europa e em simultâneo os bens e serviços são dos mais elevados. Se isto não é ser governado por 'mafiosos', então expliquem-me o que é. Quando todos os dias somos confrontados com a promiscuidade de quem detém o poder que começa com o que eles 'ganham' passando pelo que usurpam (legalmente), digam-me se o Al Capone faria melhor. * 

http://economico.sapo.pt/noticias/lucro-da-galp-sobe-43-para-306-milhoes_110919.html

http://www.eugeniorosa.com/Sites/eugeniorosa.com/Documentos/2011/11-2011-Lucros-GALP-2010.pdf

http://aeiou.expresso.pt/energia-ferreira-de-oliveira-nega-que-galp-detenha-monopolio-da-refinacao=f405582

http://www.abae.pt/programa/EE/escola_energia/2006/Conteudos/sala2/sala2_14.htm

http://www.galpenergia.com/PT/agalpenergia/os-nossos-negocios/Refinacao-Distribuicao/ARL/Refinacao/RefinariaSines/Paginas/Refinaria-de-Sines.aspx

http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?channelid=00000011-0000-0000-0000-000000000011&contentid=EABA8BDE-608F-4E12-8653-D9F0D4A37885

http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/combustiveis-acp-concertacao-governo-comissao-europeia-cavaco/1190165-1730.html

Fonte: Octopus
       *: Opinião pessoal

25 de outubro de 2011

BES: quando um banco participa no Conselho de Ministros !...

O presidente do BES, Ricardo Salgado, entrou pelas 18h05 na Presidência do Conselho de Ministros, no passado dia 13, onde o Executivo está a discutir o Orçamento do Estado para 2012.


À entrada, o banqueiro não falou aos jornalistas.

Antes que alguém suspeitasse que o banqueiro estivesse ali para falar dos milhões de dinheiros públicos a entregar à banca, das privatizações, dos benefícios fiscais, Ricardo Salgado acabaria por «revelar» o motivo da sua presença: «questões de imigração», disse.


Neste edifício o Conselho de Ministros estava reunido desde 08h30 para aprovar o Orçamento do Estado de 2012.


http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/bes-ricardo-salgado-conselho-de-ministros-imigracao-crise-agencia-financeira/1289017-1730.html



Não admira que tivesse considerado este Orçamento de "enorme coragem". Não esquecer que, além das medidas draconianas para a quem vive dos seus rendimentos, Portugal tem no programa de assistência assinado com a "troika", 12 mil milhões de euros previstos para a recapitalização dos bancos portugueses.


Esta "visita" de Ricardo Salgado vem mais uma vez demonstrar que no comando do país, como alias na União Europeia está, de facto, o capital financeiro.


Esta "visita" do banqueiro, é uma velha tradição de família, os Espírito Santo sempre tiveram uma relação privilegiada com o poder político em Portugal, e esta relação teve o seu ponto alto no tempo do fascismo.


Um Governo que recebe a família Espírito Santo enquanto discute o Orçamento de Estado é um Governo que reconhece, tão bem como o anterior, a voz do dono.

Por: Octopus

22 de outubro de 2011

Outro Senhor do Mal Cai

Até que enfim morreu.
 Tinha que ser: Khadafi era mau.
Fez coisas horríveis, é verdade.
 Não piores de quanto já fizeram um Obama ou um Cameron qualquer, mas sempre horríveis.
 E, sobretudo, Khadafi era estúpido: não teve a capacidade de escolher o campo dos Bons.
 Sobretudo era velho, desactualizado: Khadafi era um dinossauro analógico num mundo digital em contínua evolução.

 
Khadafi pensava que se o petróleo nascia na Líbia, então tinha que pertencer aos Líbios: pode-se dialogar com um individuo destes?
Khadafi pensava que um banco central tivesse de que ser controlado pelo governo: ridículo, fora de moda.

 
Khadafi acreditava ainda na resistência, na luta física, quando hoje os grandes conflitos são perpetrados com teclas. Por isso foi morto por tropas especiais camufladas de rebeldes, por alqaedistas armados pelos Americanos.
Dizem que lutou até o fim: honra para ele, no meio de burocratas que matam com cortes nas pensões ou banqueiros que arruínam vidas com assets.

 
Nos telejornais podemos ver as imagens do corpo dele, pisado, empurrado por Árabes. É importante que sejam Árabes a fazer isso, todos têm que ver como Khadafi era odiado no seu próprio País.

 
Ao mesmo tempo outras duas mensagens chegam com aquelas imagens.

 
A primeira, a mais evidente, é que foram os Árabes que mataram o homem, não nós ocidentais, que estamos inocentes.
Se Khadafi tivesse caído nas nossas mãos, teria sido morto, com certeza, mas só após um processo farsa, não assim no meio da rua.

 
A segunda mensagem, menos palpável mas nem por isso não presente, é que os Árabes são animais: mesmo os que lutam para "libertar" o País deles, são como bestas ferozes que não resistem perante a vista do sangue e do inimigo ferido.
Nós, os ocidentais, não somos assim, somos bem educados.

 
Mas que interessa isso num dia como o de hoje?
Um outro Senhor do Mal morreu, derrotado pela Justiça: é isso que interessa.
Após o bom Bin Laden, após o Número Dois de Al-Qaeda, agora é a vez de Khadafi.

 
Quem sobra?
A Coreia por enquanto está debaixo do chapéu chinês, pelo que não conta.
Cuba já não é o que era.
Chavez? Cão que ladra não morde.

 
Por isso temos Bashar al-Asad, na Síria, e toda a banda de Teheran, no Irão.
Um pior do que os outros, todos Senhores do Mal.

 
Não sei porquê, mas se eu fosse al-Asad não faria planos de longo prazo.

 
 
Ipse dixit.
Fonte:   Octopus    e    Informação Incorrecta
 

20 de outubro de 2011

Perturbador. Sem nos assustar-mos, pensemos nisto.

Supostamente, os governos foram inventadas para tornar a vida humana mais fácil e segura, mas os governos acabam sempre por escravizar a humanidade.
Aquilo que nós criamos para nos "servir" acaba por dominar-nos.

O problema com a tese de "Estado como servidor" é que é completamente falsa, tanto empírica como logicamente.
A ideia de que os estados foram criados voluntariamente por cidadãos para melhorar a sua própria segurança é absolutamente falsa.

       Quando olhas para um mapa do mundo, não estás a olhar para países, mas para viveiros.





                              

Realidade Crua e Dura


17 de outubro de 2011

A NOVA LINGUAGEM USADA PELOS DONOS DO MUNDO


                                                       



Em nome do imperialismo humanitário, da atrocidade bondosa e do holocausto benfeitor, intensificamos a agressão pacífica, o bombardeio filantrópico, o extermínio vivificante e o genocídio benévolo para assegurar o arrebatamento honrado, o saqueio generoso e a pilhagem altruísta...


Multiplicando as guerras preventivas, expandimos o assassinato profiláctico, o extermínio saudável, a hecatombe caritativa e a matança benfeitora para impor a barbárie progressista, a democracia oligárquica, o racismo tolerante, o encarceramento libertador, a tortura compassiva e a opressão redentora. Tão elevados fins justificam os meios da fraude informativa, da notícia inventada e a tergiversação verídica que, apoiadas na ocultação transparente, na ignorância ilustrada e na mentira confiável evidenciam a elevada baixeza do nosso oportunismo ético, etapa superior da prostituição moralista que nos assegura a verdadeira mentira da eternidade efémera da omnipotência impotente.
                                                                                      
Ler Artigo Completo em: Jader Resende

30 de setembro de 2011

Correntes de Mentiras

Já nascemos envolvidos em mentiras. Desde cedo nos acostumam. Bicho-papão, homem de areia, ladrões de crianças, figuras utilizadas para controlar crianças pequenas através do medo – táctica que se estende por toda a vida, mudando as formas. Imagens falsas, como o coelho que dá ovos de chocolate, ou a figura da maldade e indiferença ao sofrimento em nossa sociedade, a do pai-natal, excrescência vestida com as cores da Coca-cola que induz ao consumo compulsivo, ... na época do Natal – outra mentira, esta da igreja cristã, para fazer frente às festas do solstício, no norte da Europa -, ensinando a fazer o bem por interesse nos prémios e evitar o mal por medo do “castigo”, em franco egoísmo.
Como fazem as igrejas cristãs, sem nenhuma preocupação real com o próximo (falo apenas das instituições), além da teoria – ou diriam aos ricos que se contentassem em ser menos ricos para que não houvesse abandonados e explorados na sociedade.
São aceites como naturais os abismos sociais - económico, educacional, informacional, de cidadania e dignidade, de direitos e oportunidades. Amarga mentira. Esses abismos são artificiais, construídos a partir de cima, para permanecer por cima. Por cima mesmo dos governos, da política e da media, que constrói com a maior competência as mentiras nas quais acreditamos. A população precisa acreditar, para se deixar conduzir a sustentar e manter todo esse esquema perverso contra si mesma.
Porque é a população quem sustenta com os impostos e trabalho, quem constrói ruas, prédios e calçadas, quem instala, carrega, levanta, derruba, atende, transporta, serve, limpa, cozinha, desentope, manobra, conserta e põe a mão na massa. E é explorada e desprezada, em nossa estrutura social. Roubada em seus direitos básicos e conduzida a desejos de consumos e privilégios superficiais, alienada e narcotizada pela media. A parte mais indispensável, mais necessária à sociedade, é exactamente a mais maltratada, a mais perseguida, a mais explorada. E em caso de inconformação, reprimida com desrespeito e violência. Não são claros os motivos de tanta mentira? Sem ricos, a sociedade poderia ser menos injusta. Sem pobres, seria impossível. São eles a base de apoio.


      Impede-se o desenvolvimento do espírito humano, pois ameaçaria o controle dos poucos dominantes sobre a sociedade. E as hipocrisias seguem, junto com a vida. A maior parte das pessoas, abestalhada entre os entretenimentos e os desejos de consumo, tem sua atenção conduzida pela media para longe da política – apresentada como um mundo incompreensível entre a falcatrua de muitos e o heroísmo duvidoso de poucos, a hipocrisia de muitos e a honestidade de poucos -, com algo de repulsivo, criando um clima de assunto chato, incómodo, repetitivo, no qual é desagradável pensar.
Não é à toa. Nesse mundo, o político, se manobram as marionetas do poder, se articulam os interesses das grandes empresas, se negocia com o património público. O poder económico local (industriais, latifundiários e outros empresários "de peso"), sócio menor e servidor de gigantescas transnacionais estrangeiras e nativas, controla o aparato público, as instituições, infiltra-se no Estado através das forças políticas, compradas com financiamentos de campanhas. A partir daí, se espalha nos poderes da república em variadas relações, no judiciário, nas estatais, nos serviços públicos, nas empresas prestadoras de serviços. A coisa pública, os bens públicos, o dinheiro público, controlados por interesses privados, fazendo fachada de democracia - só se for a "cracia do demo". Esse é o mundo dos crimes contra a humanidade, do roubo dos direitos básicos à maioria da população para privilegiar essa minoria de serviçais de luxo - que fazem pose de "superiores"- e gerar ganhos além da nossa imaginação para os pouquíssimos realmente poderosos – acima até dos Estados nacionais, a ponto de controlar as políticas públicas. Os povos precisam estar de alguma forma narcotizados, precisam ser ignorantes, desinformados, enganados, para se deixarem conduzir. Simples. Destrói-se o ensino público, controla-se o ensino particular, domina-se a media e o trabalho está feito. Fácil, quando se tem o governo, legisladores, altos postos do judiciário e a media na mão. E a garantia das forças de segurança, públicas e privadas.
Dizem que o mundo é uma guerra, a vida é uma competição e que todos são adversários, em suas áreas. Mentira. Somos irmãos seguindo a aventura da vida, nos desenvolvendo e procurando formas de resolver nossos problemas, solidariamente. Somos gregários, precisamos de harmonia, não de competição. A media é que nos instiga uns contra os outros, com a ideia furada de “vencedor” e “perdedor”. Nossa união apavora seus patrões. E a eficiência é tanta que mesmo entre os que se dizem revolucionários se vêem esses padrões de comportamentos e valores. Passar da competição à cooperação é um degrau da evolução humana.
Dizem que felicidade é consumir, é desfrutar e usufruir de luxo e fartura. Mentira. O mais próximo de felicidade que temos é gostar e ser gostado, é abraçar e ser abraçado, é se sentir útil à colectividade, é beneficiar os demais e confraternizar com todos, aprender e ensinar, ajudar e ser ajudado. A media nos induz ao consumo egoísta, ao isolamento, condiciona o valor de ser humano à posse, ao poder económico, ao nível de consumo, e as pessoas se sentem inferiorizadas ou superiorizadas, conforme esses padrões, se envergonham ou se orgulham por esses factores externos. Induções. Os valores reais são abstractos, estão no ser, não no ter.
É o consentimento geral o que sustenta essa estrutura. A crença nas mentiras plantadas. Acreditamos e reforçamos as correntes da nossa própria escravidão. Cada um de nós consente, em maior ou menor grau, esse estado de coisas. Cada um de nós pode começar o trabalho em si mesmo, que vai encontrar o que fazer, se for sincero consigo e tiver humildade para encarar as próprias falhas e condicionamentos. De dentro de si é que o trabalho de mudança externa ganha força, na profundidade das raízes, da sinceridade do sentimento. Pois é do trabalho interno que emanará a força avassaladora de uma verdadeira revolução. Cada revolucionário precisa começar o seu trabalho em si mesmo. Ou será mais um desses superficiais e arrogantes, intolerante e conflituoso, pronto a usar os recursos convencionais dessa estrutura doente, ou apenas reforçará a imagem do revolucionário chato, incómodo e indesejável.
Ninguém pode se dizer isento de induções inconscientes. Desde pequenos recebemos cargas maciças de publicidade – televisão, rádio, outdoors, folhetos, jornais, revistas, nos autocarros, trens, barcas, metros, nos telefones, em cartazes pela rua, na repetição dos refrões das propagandas. E dali não vêm apenas produtos e desejos de consumos. Embutidos, estão valores sociais e pessoais, objectivos de vida e esperanças, criminosas mentiras detalhadamente preparadas pelas empresas (publicitários e até psicólogos, sociólogos, pedagogos e advogados) e implantados pela media.
Cabe a nós destruir essas correntes, desacreditando-as dentro de nós mesmos e, a partir daí, contagiar à nossa volta, até onde pudermos alcançar. Nós, os que enxergam as correntes, os que não acompanham o gado e não se deixam enganar tanto, os que nos debatemos contra as pressões e lutamos por uma sociedade menos injusta, menos perversa e menos suicida. E mais humana, mais solidária, mais cuidadosa e sincera com todos os seus membros. Enfim, uma sociedade livre das garras de elites, ao serviço de todos.

 Eduardo Marinho  
 http://www.observareabsorver.blogspot.com/
 e
 http://www.oarquivo.com.br/ 

26 de setembro de 2011

O Lado Negro do Chocolate / The Dark Side of Chocolate

Será que o chocolate que consumimos é produzido com o uso de trabalho infantil e tráfico de crianças? O premiado jornalista dinamarquês, Miki Mistrati, decidiu investigar os boatos. Sua busca atrás de respostas o levou até ao  Mali, na África Ocidental, onde com câmaras ocultas se revelou o tráfico de crianças para as plantações de cacau da vizinha Costa do Marfim. A Costa do Marfim é o maior produtor de cacau, respondendo por cerca de 40% da produção mundial. Empresas como a Nestlé, Barry Callebaut e Mars assinaram em 2001 o Protocolo do Cacau, comprometendo-se a erradicar totalmente o trabalho infantil no sector até 2008. Será que o seu chocolate tem um gosto amargo? Vamos acompanhar Miki até  África para expor "O Lado Negro do Chocolate".

21 de setembro de 2011

Santa Casa, quem peca contra ti? Ou, "Prefiro o Mal Menor"

Hoje em dia já são poucas as notícias que me sobressaltam, quando acordo penso que me sinto preparado (no mínimo) para me confrontar com o mundo tirânico, em especial o português, que surge em destaque na imprensa escrita.
 Mas hoje foi excepção ou talvez não. Leio no Jornal i «"Governo mete Euromilhões no Orçamento do Estado", Santa Casa da Misericórdia de Lisboa vai ser nacionalizada já em 2012».
 Ainda me custa a crer, mas dos 'poderosos' que se instalaram em Portugal espero o pior. Parece que esta iniciativa de um governo tirânico agrada à esquerda, o que também já não me admira, chamar esquerda a esta esquerda, equivale a chamar a um penico, um alguidar.
Sei que os ladrões estão em todo o lado, obviamente a Santa Casa não será excepção, mas retirar a esta Instituição as verbas dos chamados 'jogos de azar' será retirar o pão a milhares de portugueses cuja fome é evitada pelas centenas de associações de cariz social que se espalham por todo o lado graças à Organização da Santa Casa e dos seus jogos. Acredito que muita gente na Santa Casa tenha de tudo menos de Santo, só que nesta Organização existe muita gente boa que com essas verbas matam a fome a milhares de Portugueses.
 O Estado composto de tudo, menos de gente boa, onde fareja dinheiro saqueia, em nome de uma organização que mais não faz do que exterminar Nações explorando seus povos e riquezas naturais até à exaustão. Um governo que deixa seus cidadãos morrerem à fome, que retira das crianças bens essenciais, que expropria um povo da sua água, que coloca hospitais nas mãos de capitalistas sedentos pela ganância nunca será um governo que se preocupará com os miseráveis, logo a Santa Casa sem verbas colocará nas ruas milhares e milhares de sem abrigo. Assim se vê a grandeza de uma Nação, estes gajos perderam toda a vergonha, de cu virado para o FMI expropriam gerações de portugueses privatizando tudo. Vou ter de citar Saramago:

"Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos."
JOSÉ SARAMAGO


 
À noite eu penso nos miseráveis e em suas crianças
Na fome de três dias sem comer
Na fome que dói no osso
Na fome que se agarra mórbida nos braços de Jesus
Na angústia muda e petrificada que ninguém ouve


À noite eu penso neles como ratos
espremidos todos num único quarto
Noite quente, pavorosa sob a telha fervente
O suor escorre, o sangue escorre,
A dignidade – se já houve um dia – escorre pelo ralo
entupido de merda mole


À noite eu penso neles como cães
Roendo ossos, cozinhando bofes, lambendo tripas
com seus dentes todos podres e suas bocas cheias de feridas
Sem a esperançosa visão da luz no fim do túnel
ou mesmo a tão propalada misericórdia do Deus omnisciente


À noite eu vejo a mãe em completo desespero
sem ter o que dar de comer para sua prole proletária
Todos eles pequenos e frágeis e feios
Morrendo aos poucos em silêncio.


Enquanto isso, nos palácios, as princesas jogam fora aquele vestido
cujo único defeito é uma pequena e imperceptível
mancha de sorvete de baunilha que ali caiu no réveillon em Búzios
no ano passado.

De: Guto Capucho

16 de setembro de 2011

Comprar Afectos


    O nível de bem-estar das crianças depende mais do tempo que os pais passam com elas do que da quantidade e preço dos brinquedos que recebem. O alerta é dado pela UNICEF que promoveu um estudo com o objectivo de avaliar as atitudes das crianças face a conceitos como felicidade e sucesso. A investigação foi realizada em três países: Inglaterra, Suécia e Espanha. Segundo os resultados, Inglaterra é o país onde o consumismo é mais compulsivo e generalizado. E é também aquele em que os níveis de bem-estar das crianças são mais baixos, relativamente à Suécia e Espanha.

     Segundo a UNICEF, esta cultura do consumo e da medida do sucesso pelo saldo da conta bancária é em parte responsável pelos tumultos e saques que aconteceram em Londres neste Verão.
O que as crianças precisam para se sentirem felizes é de passar tempo com a família. Mas o tempo que os pais têm para elas é muitas vezes escasso. Os pais procuram então compensar esse défice com brinquedos, roupas e presentes caros.
O responsável pela UNICEF no Reino Unido apelou para que o governo tome medidas no sentido de acabar com a publicidade dirigida a crianças com menos de 12 anos, por um lado, e que permitam que os pais passem menos horas a trabalhar, por outro.
O estudo contou com a participação de 250 crianças, dos três países, com idade compreendidas entre os oito e os 13 anos.

10 de setembro de 2011

Os 11s de Setembro

11 directores foram convidados para fazerem um filme sobre a queda das torres gémeas em 11 de Setembro.
Esta é a brilhante contribuição de Ken Loach que traça um paralelo com um outro 11 de Setembro, aquele de 1973 no Chile.

          

Em 1965, durante uma viagem notável ao Chile, Bobby Kennedy quebrou seu rígido protocolo e se encontrou com mineiros explorados e estudantes universitários hostis. Ele mergulhou nos problemas do país para conhecê-los, para perguntar como chegar a uma solução. E se Obama decidisse seguir o exemplo de Kennedy – seu ídolo, Bobby Kennedy – e mudasse o roteiro para fazer algo sem precedentes como uma visita ao túmulo de Allende? Não seria preciso pedir perdão ou expressar remorso pela intervenção dos EUA nos assuntos internos do Chile, nem por ter sustentado Pinochet durante tanto tempo. Bastaria esse gesto singelo. O artigo é de Ariel Dorfman.

Quando Barack Obama desembarcar no Chile para uma visita de 24 horas, algo crucial faltará em sua agenda. Haverá mariscos suculentos, discursos elogiosos à prosperidade do Chile, acordos bilaterais e encontros com poderosos e celebridades, mas não há planos, sem dúvida, de que o presidente dos Estados Unidos tome contacto com o que foi a experiência fundamental da recente história chilena, o trauma que o povo de meu país sofreu durante os quase dezassete anos do regime do general Augusto Pinochet.

E, no entanto, não seria impossível para Obama ter conhecimento de uma pequena amostra do que foi a aflição do Chile. A poucas quadras do Palácio Presidencial de La Moneda, onde será recebido por Sebastian Piñera, 120 pesquisadores se dedicam assiduamente a construir uma lista definitiva das vítimas de Pinochet para que possa ser feita alguma forma de reparação. Esta é a terceira tentativa desde que terminou a ditadura, em 1990, para enfrentar as perdas massivas que ocasionou. Duas comissões estabelecidas oficialmente investigaram uma imensa quantidade de casos de tortura, execuções e prisão política, mas foi ficando claro, na medida em que passavam os anos, que inumeráveis abusos de direitos humanos seguiam sem identificação. E, de fato, a pesquisa recente recebeu 33 mil solicitações adicionais, horrores que ainda não tinham sido registados.

Ainda que Obama não tenha direito a ler nenhum dos informes confidenciais acerca daqueles casos, alguns minutos roubados de seu estrito calendário para falar com alguns dos homens e mulheres que realizam essas pesquisas, o informariam mais sobre a escondida agonia do Chile do que mil livros e reportagens.

Poderia, por exemplo, conversar com a pesquisadora chamada Tamara. No dia 11 de Setembro de 1973, dia em que Salvador Allende foi derrubado, o pai de Tamara, um dos guarda-costas de Allende, foi detido, sem que jamais se soubesse seu paradeiro posterior. Eu trabalhava em La Moneda na época do golpe militar e salvei minha vida em função de uma cadeia de coincidências milagrosas, mas o pai de Tamara não teve tanta sorte, assim como não tiveram vários bons amigos meus, cujos corpos ainda estão sem sepultura.

Ler artigo original: Carta Maior-Internacional

Enquanto a media brasileira se deslumbrou com a visita de Obama e continua publicando páginas e páginas de abobrinhas mesmo depois de ele ter deixado o país, a imprensa chilena questionou o presidente dos Estados Unidos sobre sua disposição em colaborar com investigações sobre os crimes da ditadura militar chilena e pedir desculpas pelo apoio de seu país ao golpe de 11 de Setembro de 1973.
Não poderia haver questão mais pertinente. Obama chegou à América Latina com um discurso de defesa da democracia conquistada a duras penas em todo o continente, mas sua pregação só teria sentido se precedida por um mea culpa. Foi com apoio directo e comprovado dos Estados Unidos que governos eleitos pelo provo foram derrubados por golpes de Estado e o processo democrático interrompido em grande parte da América Latina.
Não se constroem novas relações sem resolver as pendências do passado. A Igreja católica jamais poderia tentar estabelecer laços com o povo judeu sem pedir perdão pela indiferença à perseguição por eles sofrida durante o nazismo. Não se passa a borracha no passado, principalmente quando as chagas ainda estão abertas, como no caso das jovens democracias latino-americanas.
Em sua viagem ao continente, Obama escolheu três países particularmente afectados em suas histórias por regimes truculentos, que mataram seus cidadãos e atrasaram seus desenvolvimentos com o suporte dos Estados Unidos. O Brasil enfrentou 25 anos de trevas depois que o governo João Goulart foi derrubado por um golpe de Estado orquestrado com amplo envolvimento da diplomacia norte-americana. Até a quarta frota foi enviada para águas brasileiras para colaborar no enfrentamento de uma possível resistência.
 No caso chileno, a CIA esteve envolvida na conspiração para a derrubada de Salvador Allende desde a greve dos caminhoneiros até o endosso ao governo do general Pinochet. E em El Salvador, também houve apoio integral à ditadura que praticou crimes bárbaros contra a população, culminando com o assassinato do bispo católico Dom Oscar Romero, fuzilado quando celebrava missa na capital do país.

Ler artigo completo: Direto da Redação

6 de setembro de 2011

VERITAS OMNIA VINCIT


“Não devemos acreditar nos muitos que dizem que só as pessoas livres devem ser educadas, deveríamos antes acreditar nos filósofos que dizem que apenas as pessoas educadas são livres.”

 

Epicteto, filósofo romano e ex-escravo – Discursos


    Não há quem não aprecie e anseie por liberdade. Costumamos encerrar nossos cães em coleiras e percebemos o quanto isso lhes causa sofrimento. É tolice achar que os pássaros presos em gaiolas estão felizes, e por isso cantam. Tentem então prender um gato e vejam a tamanha revolta que manifestam. Todos querem ser livres. E quanto maior é a capacidade de discernir, maior será o apreço por uma vida livre.

Nós humanos, dentre todos os animais, possuímos cérebros mais complexos e sofisticados, somos mais capazes de estimar a qualidade de ser livre. Em verdade, não só apreciamos, mas buscamos cada vez mais nos distanciar da servidão ou de qualquer sistema opressor.

Em Roma existiu um filósofo que conheceu a escravidão, não sabemos qual era seu verdadeiro nome mas chamavam-no de Epicteto. Acabou sendo libertado pelo seu senhor, que por sua vez era também um ex-escravo. Em Roma Epicteto passou a estudar o estoicismo tornando-se um de seus principais expoentes.

A frase de Epicteto citada acima, nos ensina que os que são verdadeiramente livres, são também os verdadeiramente instruídos. Mas alguém pode perguntar, livres do quê? Ou, instruídos em quê? Tanto em Roma, como na Grécia clássica, a escravidão era essencial para a economia. Nessas sociedades, mulheres e escravos não tinham todo o acesso ao conhecimento, e nem eram admitidos na participação dos debates em praça pública (só as pessoas livres devem ser educadas). Mulheres e escravos possuíam papeis definidos, e cada um à sua maneira vivia uma espécie de servidão.

Exemplos como o de Epicteto, que vivenciou a escravidão mas elevou-se a um patamar intelectual nivelado ao dos pensadores de sua época, ou os casos de Safo e Hipasia, mulheres que ousaram aventurar-se nesse mundo, exclusivo para homens, são raros na história. A humanidade não faz ideia do quanto perdeu criando essas muralhas de preconceito, fundamentadas em costumes e tradições.

Hoje os dias são outros. Ainda que zigotos desse mal sejam semeados em muitos recantos da Terra, a escravidão, se comparada às antigas eras, é quase extinta. Mas as mulheres ainda sofrem muito com o machismo, graças às ideologias patriarcais que insistem em vigorar.  


    Existem porém, muitas outras formas de ignorância e subserviência, para que possamos repousar tranquilamente a cabeça sobre o travesseiro. Se o mundo antigo adoecia porque muitos não tinham acesso ao conhecimento, ou alguns sistemas proibiam seu avanço, hoje a humanidade sofre porque não sabe absorver conscienciosamente toda a ciência que se avoluma. A humanidade ainda não é livre.


A democracia, ainda que com percalços, tem se mostrado o melhor princípio de governo que existe, mas para que esse sistema possa funcionar correctamente, é preciso que o povo seja instruído. Como o regime democrático pode ser um verdadeiro baluarte para a nação, pode também ser fonte de poder nas mãos de poucos, nas mãos daqueles que estão no comando da nação. A teoria democrática nos diz que o poder de decisão está nas mãos do povo, mas quando o povo não possui instrução e senso crítico, esse direito se aliena. O resultado é o abuso indiscriminado do poder concentrado nas mãos de líderes que esse mesmo povo, de forma cega, escolheu.

Um povo instruído, conclui-se, torna-se capaz de alcançar autonomia democrática, e é evidente que muitos dos que lideram um governo não pretendem que isso aconteça. Não é a toa que não vemos, em nosso país, um esforço maior em se investir em educação e cultura, assistimos apenas ao desenlace de movimentos tímidos, que esbarram numa série de impedimentos. Todos sofrem, mas poucos sentem a dor, a maioria está entorpecida, entretidos com o futebol ou os reality shows da tv. E se não sentem a dor, não há do que reclamar.

A liberdade que a instrução concede ao homem não se restringe apenas ao campo social, e na verdade essa nem é a área mais importante, a liberdade social será um sintoma, uma consequência. O preconceito, a ignorância, as superstições e desilusões, estão na conta dos grilhões que nos prendem. Vítimas dos predicativos citados, são incapazes de discernir ou avaliar o que quer que seja. Thomas Jefferson disse “Se uma nação espera ser ignorante e livre num estado de civilização, espera o que nunca foi e o que nunca será”.

Conscientizando-se de que a instrução é tão necessária para esta emancipação intelectual, é preciso agora estabelecer que tipo de instrução é essa. Epicteto fala de educação (as pessoas educadas são livres). Um dos termos latinos para educação é “educare”* que significa nutrir. Toda civilização desenvolvida ou primitiva possui métodos de trabalho, de produção, de defesa do estado ou tribo, possui também crenças religiosas, tecnologia e costumes, a tudo isso se dá o nome de cultura. Toda essa gama de valores e fazeres tinha de ser comunicada, e a transmissão oral e escrita, feita por pessoas qualificadas para isso, é o que chamamos de educação. Esse era o “nutrir” da educação, qualificar os jovens para o trabalho, para o bom desempenho de seus papéis dentro do grupo, seguindo um processo endo cultural. Caso contrário o futuro da tribo ou do estado correriam sérios riscos.

Com o advento da Filosofia o educar ganhou novos contornos, novos nuances. Além de preparar o homem para as labutas sociais, a educação seria causa de transformação, de um desabrochar do ser, levando o homem para além de si mesmo, ampliando seus horizontes. A educação em Filosofia é um acréscimo substancial de riqueza, construindo solidamente a célula, para que todo o tecido social se torne mais forte e coeso. Platão acreditava nisso, ainda que em sua República houvesse ressalvas quanto aos soldados e escravos, mas na sociedade ideal de Platão havia um avanço, pois até as mulheres poderiam ter participação. Vê-se que aos poucos a Filosofia ia quebrando tabus e preconceitos.

Hoje possuímos um quadro muito mais amplo do conceito de educação, mas a ideia original, a de nutrir, ainda é a mesma. É preciso que nossas mentes sejam bem alimentadas à semelhança de nossos corpos. Um pai pode escolher dar ao filho um café da manhã reforçado ou pobre em vitaminas, até mesmo escolher dar alimento prejudicial, como ovos fritos e bacon. Da mesma forma os pais são responsável pelo alimento cultural que tornará seus filhos gigantes intelectuais ou não.

Em muitos lares a tv funciona como ferramenta educadora, os pais deixam seus filhos diante da televisão, autopreservando-se das constantes perguntas que os filhos costumam fazer. Essas crianças formarão suas opiniões baseadas no que vêem na programação televisiva. E a grade de programas geralmente é de muito mau gosto. Se pais do mundo todo não tomarem uma iniciativa producente, seus filhos estarão perdidos, e a sociedade formada por esses jovens vislumbrará decadência e corrupção.

Diminuir o tempo de tv e entreter as crianças com actividades mais construtivas, é o que deveria ser feito. Outra coisa, e de mais importância, é criar o gosto pela leitura em nossos filhos. Acontece que, em casa onde não se lê dificilmente isso acontecerá. As crianças imitam os adultos, elas admiram seus hábitos. Numa família onde a maioria lê, ou pelos menos os pais lêem, as chances dos filhos se interessarem pela leitura será maior. Habituando-se a si mesmo e aos filhos na prática da leitura o resto do caminho será mais fácil.

Uma sociedade com homens livres não é utopia, é um sonho possível. Mas mudar o mundo é difícil, comecemos então por nós, podemos mudar o nosso universo, ampliar nossas perspectivas, basta querer. Vamos nutrir nossas mentes com alimento vigoroso e sadio, livre de saturação, de escória. O primeiro passo pode ser a aquisição de um livro. Qual livro? Depende do que quiser saber. Visite livrarias, consulte as bibliotecas. Existem livros que funcionam como “primeiros passos” para os que são leigos em determinados assuntos. Quer entender sobre o espaço e os planetas? Procure um livro que possa iniciá-lo em astronomia, na dúvida pergunta ao vendedor ou bibliotecário. Quer saber mais sobre as plantas, a vegetação de nosso país, um livro que o inicie em Botânica. E por aí vai. Se você procurar se aprofundar em algum assunto que lhe interesse, que goste ou ame, pode ter certeza que outras janelas de conhecimento se abrirão e sua mente, agora resiliente, se expandirá. O mesmo não se pode dizer daqueles que se contentam com o superficial, aliás esse é o mal de muitos.

Se no passado homens como Espártaco ou Robert de Brus se rebelaram, e com impertérrita belicosidade, alcançaram a tão almejada liberdade, é preciso assumir uma postura aguerrida contra nós mesmos, lutando contra as convenções, crendices e preconceitos, que fazem cómoda morada em nossas mentes. A verdade sempre vence.

Por: Emerson Freire 





1 de setembro de 2011

Memórias do Saque

                                Uma ante-visão assustadora no que Portugal se está a transformar.

"Premiado com o Urso de Ouro em Berlim e Melhor documentário em Havana, o filme mostra de que forma a Argentina foi saqueada pelas grandes corporações, de como o governo neoliberal de Menem conseguiu levar o país à bancarrota, privatizando tudo e servindo aos interesses do FMI, Banco Mundial e OMC. Genocídio Social, a Argentina passa da condição de país "quase de 1º Mundo" para um país em que a maioria da população se torna miserável. Mortalidade infantil, desnutrição, abandono social total, endividamento externo fizeram a marca do que seria o "exemplo de neoliberalismo para o mundo". Toda essa situação se tornou insuportável até finalmente explodir na revolta popular de 19 e 20 de Dezembro de 2001."

21 de agosto de 2011

Afinal, porque não quer Cavaco Silva o limite ao endividamento do Estado na Constituição?

A resposta ao que está por detrás da objecção de Cavaco Silva é simples, e os seus motivos e fins, tal como o conhecemos e ao seu percurso político de há 25 anos a esta parte, são ainda mais transparentes.
Vejamos:
Em 1974 a dívida pública portuguesa era pouco mais de 10% do PIB português, para hoje, volvidos meros 37 anos, ser já superior a 100% e virá a atingir até ao final de 2012 mais de 200% do mesmo PIB, após o recebimento do empréstimo da Troika e FMI para o resgate financeiro a Portugal.
Cavaco Silva faz parte da geração de políticos e democratas, nos quais se incluem, Mário Soares, António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes, Freitas do Amaral, José Sócrates, Passos Coelho e Paulo Portas, entre muitos outros da direita à esquerda, que têm uma profunda aversão à democracia liberal, aos referendos populares e à democracia directa, e não aceitam, nem aceitaram nunca, o primado da democracia popular e o respeito pela soberania do povo. 


 Para todos eles, bem como para todo o demais espectro político crente e constituinte da vigente Constituição da República Portuguesa e do regime instaurado no pós-25 de Abril, bem à semelhança dos fascistas do Estado Novo, e nisto o Portugal político nunca mudou nada em grande parte no Século XX, o povo nada mais serve, qual burro de carga e meros pagantes de impostos, que não seja para aceitar calado e mudo o que as elites políticas, industriais e financeiras do país, entre si e na antecâmara dos bastidores, no âmbito das suas negociatas muito bem na sua real gana decidem, determinam e entre si retalham e distribuem. 
O povo, segunda a óptica destes iluminados, mas obscuros, democratas, é uma enorme maçada que não serve nem sequer para ser consultado em referendo das muitas escolhas que foram feitas à sua revelia, e na qual a entrada em 1986 na CEE ainda hoje a esmagadora maioria dos portugueses desconhecem, bem como os seus principais efeitos e consequências, e ao que nunca foi chamado, como devia, a pronunciar-se.
Após 37 anos da implantação da III República, com a alienação de um imenso território ultramarino, das Africas e das suas possessões até Timor, com essa desastrosa e traidora descolonização, com a alienação de quase 2/3 da reservas de ouro do Banco de Portugal, no equivalente a mais de 30 mil milhões de euros, da criação de uma escandalosa e inútil dívida pública externa real de bem mais de 300 mil milhões de euros, da dependência alimentar portuguesa ao estrangeiro, do desmantelamento de uma considerável parte do seu aparelho produtivo, de uma situação de taxa real de desemprego já hoje superior a 15%, e que não é superior em resultado da emigração, qual expulsão coerciva e forçada de centenas de milhares de portugueses nos últimos 10 anos, aos portugueses resta hoje saberem e sentirem bem na carne a capacidade destrutiva dos seus políticos e governantes da vigente democracia partidária e do atoleiro em que Portugal se encontra mergulhado, e sendo já hoje praticamente um país sem soberania nem independência. 
É este mesmo Presidente Cavaco Silva que nos últimos anos e perante o grave descalabro em que os Governos Sócrates iam mergulhando Portugal, achou e ainda hoje acha inconveniente que se faça uma auditoria a essa mesma imensa dívida pública.
Ora, Cavaco Silva mais não é do que a ponta do icebergue do imenso regime político-económico vigente, que odeia profundamente o seu povo, que o prefere entretido em futebóis, Fátima, vinho e outros demais vícios, inculto, estúpido, ressabiado, não cívico ou alheado da realidade do seu país e do estado da coisa pública.
Para Cavaco Silva e para os demais acólitos do regime político vigente, bem espelhado no espectro partidário com assento na Assembleia da República, o povo não serve nem para votar e muito menos para decidir os destinos de Portugal e, tal como Mário Soares uma dia disse, que só contavam os que votavam e os demais não faziam falta, Cavaco Silva acrescentou que quem não vota não tem direito a opinar.
Portanto e na boa tradição secreta, obscura, anti-democrática, tudo na melhor tradição social-fascista plebiscitária do regime e dos seus actores, hoje dessiminados pela vasta Administração Pública e em boa parte dos Órgãos de Soberania, os quais hoje já bem conhecemos e aos seus actos e respectivas consequências danosas, o povo não deve nem pode tomar parte na decisão relativa à dívida que o Estado Português contrai: serve é certo para a pagar com o seu sangue e o dos seus filhos, mas, decerto, não é parte nem no seu beneficio, nem na decisão ou na responsabilidade de quanto, como e a quem a mesma se destina efectivamente e dela tira, como tirou, real proveito.
Para Cavaco e para o regime vigente, o Estado, o Poder Político, as Leis e a Justiça, a Constituição da República, a Coisa e o Erário Públicos, são tudo coisas exclusivas e para benefício da elite político-partidária e financeira, e o Povo, esse servo da gleba, escravo e animal estúpido de carga, que se entretenha com a fome e a miséria, que são coisas que bem conhece desde que há História de Portugal há mais de 900 anos e com as quais seguramente vai ter de continuar a entreter-se se não tiver para onde fugir.

Por:  Eu acuso.
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