8 de janeiro de 2013

Saneamentos na Rádio e Televisão Públicas continuam

        JOEL COSTA e QUESTÕES de MORAL, "democraticamente" saneados da ANTENA 2



...Ana Almeida Dias e Cristina do Carmo, obrigado por tudo. Adeus, minhas amigas, até ao meu improvável regresso!»

Foi com estas palavras, proferidas na edição consagrada ao tópico "Pio XII – O pós-guerra" transmitida a 29 de Outubro do ano passado, que Joel Costa se despediu das suas assistentes de realização e dos seus ouvintes, entre os quais tenho a honra e o proveito de me contar. Mesmo que hipoteticamente eu não te possa voltar a escutar, OBRIGADO por tudo o que me ensinaste GRANDE AMIGO e MESTRE.

Podem aqui escutar esse programa (enquanto os censores da 'coisa pública' não o apagarem):
http://www.rtp.pt/play/p251/e97168/questoes-de-moral

Entretanto a direcção da Antena2 continuou a fazer passar (até dia 31 de Dezembro de 2012)  cerca de nove programas (se não me enganei a contar) já com alguns anos e assim os menos atentos não se aperceberam de mais este ataque desferido no serviço Público de Rádio-Difusão em Portugal.



 A versão que os inquilinos da direcção da Antena 2 (João Almeida, Rui Pêgo e António Luís Marinho) puseram entretanto a correr de que foi Joel Costa a pedir para deixar de fazer o programa é redondamente falsa. Fonte fidedigna assegurou-me que, não podendo acumular a pensão de reforma da Segurança Social com a remuneração pela realização do "Questões de Moral", o Sr. Joel Costa disponibilizou-se, tal como a lei prevê, a abdicar desta última já que o valor da pensão é superior, e eles recusaram.
Se o Sr. Aníbal Cavaco Silva pôde ficar com as pensões da Caixa Geral de Aposentações e do Banco de Portugal (que totalizam quase 12 mil euros mensais), em detrimento do vencimento de Presidente da República (ainda assim continuando a usufruir das demais regalias inerentes ao cargo) por que motivo é negado ao cidadão Joel Costa o exercício do mesmo direito?
Álvaro José Ferreira



Joel Costa, personagem atípica e poli-disciplinar, nasceu em Lisboa e não tem a mínima formação universitária.
Foi exercendo na vida e nas circunstâncias intersticiais do tempo, o inteiro e o parcial, diversas e quase disparatadas actividades: paquete, bancário, empregado de escritório, contra-guerrilheiro forçado, contabilista incompetente, dactilógrafo temporário, auxiliar de cartografias, cantor lírico, sindicalista, actor de cinema, novelista de gaveta, dramaturgo de cesto de papéis, conferencista de pequeno (e por vezes mau) porte, assessor político, classificador de espectáculos e ghost writer - embora, como grande admirador de romancistas americanos, também gostasse de ter sido marinheiro, publicitário, porteiro da noite, alcoólico, piloto aviador na II Guerra, estucador, jornalista e pastor evangélico.
Em 1994, por um acaso, inicia a inesperada actividade de autor radiofónico. Colabora com a RDP-Antena 2 e é autor de trabalhos que têm merecido o reconhecimento do público e da crítica: Questões de Família e Questões de Moral - agora silenciado -, além de outras colaborações avulsas. Em 2003, o grupo de teatro Intervalo levou à cena a sua comédia Isto é a Gente a Falar.
Só este currículo é já de si 'perturbador' para que as supostas almas que chamarei de 'Miguelistas Relvinhas' que dirigem a Antena 2 afastassem este homem, mas há mais:

-"Entretanto, uma mosca que se costuma passear pelos corredores da RDP veio zumbir-me ao ouvido o motivo preponderante que terá levado os mandantes da Antena 2 (João Almeida, Rui Pêgo e António Luís Marinho) a prescindirem dos serviços de Joel Costa. Alguém que tempos antes se propusera realizar um programa para a Antena 2, mas que vira esse intento adiado por não haver margem de manobra no orçamento que a administração definira para o canal, logo se teria apressado a atazanar os locatários da direcção de programas: «Agora que o Joel Costa se reformou deixa de haver justificação para eu esperar mais...». Perante tal argumento, aqueles que riscam e desriscam no canal (supostamente) cultural da RDP, nem terão pensado duas vezes: «É melhor deixar cair o Joel Costa, a pretexto da lei das incompatibilidades, e darmos oportunidade a este comparsa de também comer do bolo proveniente da contribuição do audiovisual...»".

Podem ler aqui, todo o artigo completo de mais esta artimanha contra a democracia neste moribundo país:
-http://nossaradio.blogspot.mx/2012/11/em-defesa-do-programa-questoes-de-moral.html

Fontes:  http://nossaradio.blogspot.com/ 
             http://www.wook.pt/authors/detail/id/41506
             http://literaturas.blogs.sapo.pt/84416.html
             http://opostit.wordpress.com/2011/02/15/questoes-de-moral-joel-costa/
             http://radiocritica.blogspot.pt/2006/03/questes-de-moral.html


11 de dezembro de 2012

A PAZ, A GUERRA, A MENTIRA E O NOBEL


     
 

A pompa, a circunstância, o ambiente apalaçado onde se congregaram os risos de plástico em máscaras de hipocrisia aprimoraram a transformação em farsa de uma cerimónia onde deveria imperar a dignidade, uma vez que se pretendia evocar o valor mais importante para a Humanidade – a Paz.



É gente como aquela, presente no episódio de Oslo no qual se consumou a trágica entrega do Prémio Nobel da Paz à União Europeia, que governa o mundo, que decide como deve ser a vida de cada um de nós, como devemos pensar, quem temos de apoiar ou odiar, quem é terrorista e combatente pela liberdade e que, de degrau em degrau na escada do despudor, deita directamente para o lixo cada voto a que se resume a nossa participação oficial na trapaça da democracia por eles instituída.
Lá estavam eles, a trempe, o triunvirato, a troika. Barroso ao meio, Van Rompuy à direita, Schulz à esquerda, não liguem às suas posições relativas porque eles são vértices à escala europeia do partido único governante e que chamou a si próprio o poder de decidir sobre 27 países, e muito mais.
A Paz está em boas mãos, disse o Comité Nobel ao mundo através do gesto de entregar àqueles altos representantes da União Europeia, e também agentes do governo mundial dos mercados, as insígnias que deveriam antes agraciar os inimigos da guerra, os isentos de qualquer contaminação com os fabricantes e fazedores de conflitos armados.
Sabemos todos que isso não é assim. E por muito que queiramos não confundir as pessoas com as instituições belicistas que representaram na cerimónia, sabemos que nem isso podemos fazer, e com toda a segurança, pelo menos num dos casos.
O caso do dr. Barroso, o exemplo perfeito. Diz ele que a União Europeia merece o prémio porque garante a paz na Europa. Como se na Europa a paz se resumisse a não haver guerra entre a França e a Alemanha, a não haver confronto directo entre a Rússia e a Nato. Há na Europa uma guerra social contra os cidadãos, a violência através da expansão vertiginosa da pobreza, um ataque flagrante à condição humana através da sonegação do emprego, do roubo dos direitos adquiridos e inerentes, da perversão das leis, da falsificação da democracia.

                                                                                 
                                                                                   
A falácia é irmã da mentira e de mentiras percebe o dr. Barroso porque participou naquele conclave das Lajes em que foi decidido mandar matar centenas de milhar de pessoas com base na monumental peta das armas químicas em poder do ex-amigo Saddam Hussein.
Essas armas químicas não apareceram. Mas se lerem e escutarem as notícias mais actuais  ainda que pela rama, parece agora haver outras que provavelmente jamais aparecerão. São as armas químicas do regime de Assad na Síria,o argumento que já serviu à Nato para armar a Turquia ainda com mais mísseis e que parece sustentar os preparativos de uma eventual invasão directa no caso de os combatentes da liberdade para lá exportados pelos países civilizados e outros que também o são, como o Qatar e a Arábia Saudita, não darem conta do recado de instaurar “a democracia”. E falo de libertadores que também já foram “terroristas”, por exemplo no Iraque e Afeganistão, dir-se-á que não sabem muito bem o que são, mas não é verdade: sabem que são mercenários e “soldados de Deus”, seja lá o que isso for para nós.
É da guerra da Síria e contra o povo da Síria que falo. A propósito da qual o insuspeito Le Figaro – insuspeito neste caso porque sendo porta voz das direitas escreve às vezes o que as direitas não querem ler – revela que militares franceses estiveram nas “zonas libertadas sírias” para tratarem da cooperação com os “rebeldes”. Com o conhecimento, é claro, do presidente Hollande, que terá recomendado aos emissários o apuramento da “cor política” de cada grupo, não vá o Diabo tecê-las, se bem que já as tenha tecido.
Ora se nós o sabemos não me digam que o senhor Barroso, ou os senhores Van Rompuy e Schulz, à frente do Conselho e Parlamento Europeus, não o sabem…
A União Europeia apoia guerras, participa em guerras, ajuda a fabricar guerras. Aquilo que se passou em Oslo foi em boa verdade um ato de guerra, em nome da paz. A partir daqui já não há mais nada para falsificar.
JOSÉ GOULÃO



9 de dezembro de 2012

OS FANTASMAS



 


        Esta coisa de escrever crónicas “é um jogo permanente entre o estilo e a substância”. Uma luta entre “o deboche estilístico” do gozo da escrita e“a frieza analítica” do pensamento do cronista. Por isso, enquanto cidadão, só posso ver este governo como uma verdadeira praga bíblica que caiu sobre um povo que o não merecia. Mas, enquanto cronista,encaro-o como uma dádiva dos céus, um maná dos deuses, “um harém de metáforas”, uma verdadeira girândola de piruetas estilísticas.


      Tomemos como exemplo o ministro Gaspar. Licenciado e doutorado em Economia, fez parte da carreira em Bruxelas onde foi director do Departamento de Estudos do BCE. Por cá, passou pelo Banco de Portugal, foi chefe de gabinete de Miguel Beleza e colaborador de Braga de Macedo. É o actual ministro das Finanças. Pois bem. O cronista olha para este “talento” e que vê nele? Um retardado mental? Uma rábula com olheiras? Um pantomineiro idiota? Não me compete, enquanto cidadão, dar a resposta. Mas não posso deixar de referir a reacção ministerial à manifestação de 15 de Setembro que, repito, adjectivava os governantes onde se inclui o soporífero Gaspar, como “gatunos, mafiosos, carteiristas, chulos, chupistas, vigaristas, filhos da puta”. Pois bem. Gaspar afirmou na Assembleia da República que o povo português, este mesmo povo português que assim se referia ao seu governo, “revelou-se o melhor povo do mundo e o melhor activo de Portugal”! Assumpção autocrítica de alguém que também é capaz de, lucidamente, se entender, por exemplo, como um “chulo” do país? Incapacidade congénita de interpretar o designativo metafórico de “filhos da puta”? Não me parece. Parece-me sim um exercício de cinismo, sarcástico e obsceno, de quem se está simplesmente“a cagar” para o povo que protesta. A ser assim, julgo como perfeitamente adequado repetir aqui uma passagem de um texto em forma de requerimento “poético” de 1934. Assim: “A Nação confiou-lhe os seus destinos?.../Então, comprima, aperte os intestinos./Se lhe escapar um traque, não se importe…/Quem sabe se o cheira-lo nos dá sorte?/Quantos porão as suas esperanças/Num traque do ministro das Finanças?.../E quem viver aflito, sem recursos/Já não distingue os traques dos discursos.”
Provavelmente o sr. Ministro desconhecerá a história daquele gajo que era tão feio, tão feio, que os gases andavam sempre num vaivém constante para cima e para baixo, sem saber se sair pela boca se pelo ânus, dado que os dois orifícios esteticamente se confundiam. Pois bem. O sr. Ministro é o primeiro, honra lhe seja concedida, que já confunde os traques com os discursos. Os seus. Desta vez, o traque saiu-lhe pelo local de onde deveria ter saído o discurso! Ou seja e desculpar-me-ão a grosseria linguística, em vez de falar, “cagou-se”. Para o povo português.
Lamentavelmente.



        Outro exemplar destes políticos que fazem as delícias de um cronista é Cavaco Silva. Cavaco está politicamente senil. Soletra umas solenidades de circunstância, meia-dúzia de banalidades e, limitado intelectualmente como é, permanece “amarrado à âncora da sua ignorância”. Só neste contexto se compreende o espanto expresso publicamente com “o sorriso das vacas”, as lamurias por uma reforma insuficiente de 10 mil euros mensais, a constante repetição do “estou muito preocupado” e outros lugares-comuns que fazem deste parolo de Boliqueime uma fotocópia histórica de Américo Tomás, o almirante de Salazar. Já o escrevi aqui várias vezes. Na cabeça de Cavaco reina um vácuo absoluto. Pelo que, quando fala, balbucia algumas baboseiras lapalicianas reveladoras de quem não pode falar do mundo complexo em que vivemos com a inteligência de um homem de Estado. Simplesmente porque não a tem. Cavaco é uma irrelevância de quem nada há a esperar, a não ser afirmações como a recentemente proferida aquando das comemorações do 5 de Outubro de que “o futuro são os jovens deste país”! Pudera! Cavaco não surpreenderia ninguém se subscrevesse por exemplo a afirmação do Tomás ao referir-se à promulgação de um qualquer despacho número cem dizendo que lhe fora dado esse número “não por acaso mas porque ele vem não sequência de outros noventa e nove anteriores…” Tal e qual.

Termino esta crónica socorrendo-me da adaptação feliz de um aforismo do comendador Marques de Correia e que diz assim: “Faz de Gaspar um novo Salazar, faz de Cavaco um novo Tomás e canta ó tempo volta para trás”. É que só falta mesmo isso. Que o tempo volte para trás. Porque Salazar e Tomás já os temos por cá.

P.S.: Permitam-me a assumpção da mea culpa. Critiquei aqui violentamente José Sócrates. Mantenho o que disse. Mas hoje, comparando-o com esse garotelho sem qualquer arcaboiço para governar chamado Passos Coelho, reconheço que é como comparar merda com pudim. Para Sócrates, obviamente, a metáfora do pudim.
Sinceramente, nunca pensei ter de escrever isto.

Luís Manuel Cunha
Professor
In “Jornal de Barcelos”
De 10.10.2012

24 de setembro de 2012

Quem tem medo da Ira Muçulmana?

A capa de uma revista dos EUA (veja abaixo) mostra a posição obtusa da Comunicação Social  nas duas últimas semanas: um mundo muçulmano está ardendo em um sentimento de ira contra o ocidente por conta de um filme 'islamofóbico' e hordas de manifestantes violentos pelas ruas ameaçam-nos a todos... Mas, será isso verdade? Cidadãos e as novas 'medias' estão respondendo, e o site Gawker fez uma sátira brilhante desta onda mostrando imagens alternativas à "ira muçulmana" (no Twitter, várias pessoas responderam à 'hashtag' #MuslimRage, usada ao longo deste artigo):

Algumas das imagens alternativas à da Newsweek

          


7 coisas que não lhe contaram sobre a "#MuslimRage":

-Como qualquer pessoa, a maioria dos muçulmanos acharam o vídeo 'islamofóbico' de 13 minutos de má qualidade e ofensivo, e os protestos se espalharam rapidamente, tocando em feridas compreensíveis e duradouras sobre o neo-colonialismo dos EUA e a política externa ocidental no Oriente Médido, assim como a sensibilidade religiosa no que diz respeito a representações do profeta Maomé. Mas frequentemente a cobertura dos media omite algumas informações importantes:

1-As estimativas iniciais mostram que a participação em protestos contra o filme representam de 0,001 a 0,007% da população mundial de muçulmanos: 1.5 milhão de pessoas - essa percentagem representa uma pequena fracção do número de pessoas que marcharam pela democracia durante a Primavera Árabe.
2-A grande maioria dos protestos foram pacíficos. As violações das embaixadas estrangeiras foram quase todas organizadas ou nutridas por indivíduos dos movimento salafista, um grupo radical islâmico que se preocupa mais em destruir os grupos islâmicos populares moderados.
3-Oficiais líbios e americanos de alta patente estão divididos sobre se o assassinato do embaixador dos EUA na Líbia foi planeado previamente para coincidir com o aniversário do 11 de setembro, e portanto não estaria relacionado com o filme.
4-Além dos ataques feitos pelos grupos militantes radicais na Líbia e Afeganistão, uma avaliação das notícias actuais feita no dia 20 de setembro sugeriu que os manifestantes mataram, ao todo, zero pessoas. 
5-Quase todos os líderes mundiais, muçulmanos ou ocidentais, condenaram o filme, e quase todos eles condenaram qualquer tipo de violência que possa vir a acontecer enquanto resposta.
6-O Papa visitou o Líbano no auge da tensão, e líderes do Hezbollah participaram do sermão papal, abstiveram-se de protestar sobre o filme até que a santidade deixasse o local, e clamaram por mais tolerância religiosa. Sim, isso aconteceu.
7-Após o ataque em Bengazi, cidadãos comuns foram às ruas da cidade e em Tripoli com cartazes, muitos deles escritos em inglês, com pedidos de desculpas e afirmando que a violência não os representava, nem sua religião.

Mais algumas das imagens alternativas à da Newsweek  




Além dos pontos listados acima, há um grande número de notícias que foram ignoradas pela Comunicação Social na semana passada para dar margem a capa da revista Newsweek, a #MuslimRage e a cobertura dos conflitos. Na Rússia, dezenas de milhares protestaram nas ruas de Moscovo contra o presidente russo Vladimir Putin. Centenas de milhares de portugueses e espanhois marcharam em protestos contra a austeridade; e mais de um milhão de cidadãos da Catalunha  marcharam por independência.


               Ira Muçulmana ou Estratégia Salafista

O filme "A Inocência dos Muçulmanos" foi escolhido e distribuído com legendas colocadas por Salafistas da extrema direita -- seguidores radicais de um movimento islâmico apoiado há muito tempo pela Arábia Saudita. O filme era uma produção barata, um desastre no YouTube até que o apresentador de TV egípcio salafista, Sheikh Khaled Abdullah  começou a divulgá-lo para os seus espectadores no dia 8 de setembro. A maioria dos muçulmanos insultados ignoraram o filme ou protestaram pacificamente, mas os salafistas, de posse de suas bandeiras pretas, lideravam os provocadores dos protestos mais agressivos que invadiram embaixadas. Os líderes do partido salafista egípcio participaram no protesto no Cairo que culminou na invasão da embaixada dos EUA. 

O Sheikh Abdallah, o apresentador de TV salafista que divulgou publicamente o filme. Foto: Ted Nieter 
Como a extrema direita nos EUA ou na Europa, a estratégia salafista é arrastar a opinião pública para a direita, aproveitando-se de oportunidades para espalhar o ódio e demonizar os inimigos de sua ideologia. Essa abordagem lembra muito o apelo anti-muçulmano do pastor americano Terry Jones (o primeiro a divulgar o filme no Ocidente) e outros extremistas nesse lado do mundo. Entretanto, nas duas sociedades os moderados ultrapassam (e muito!) em número os extremistas. Uma figura pública da Irmandade Muçulmana do Egito (o mais forte e popular oponente político dos salafistas no Egito) escreveu um artigo no New York Times dizendo: "Não responsabilizamos o governo americano ou os seus cidadãos pelos actos daqueles que abusam das leis que protegem a liberdade de expressão". 

                        

                           A boa cobertura jornalística


Um solitário grupo de jornalistas e académicos aproximaram-se dos protestos com a intenção de entender a verdade das forças por trás das manifestações. Entre eles, Hisham Matar, que descreve com afinco a tristeza na cidade de Benghazi após a morte do embaixador Steven, e Barnaby Phillips, que explora como os conservadores islâmicos manipularam o filme em prol de si mesmos. A antropóloga Sarah Kendzior alerta para que não se trate o mundo muçulmano como uma unidade homogenea. E o professor Stanley Fish aborda a seguinte questão: porque tantos muçulmanos são tão sensíveis a representações muito pouco lisonjeiras do Islão?
Fonte: AVAAZ.ORG
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