26 de janeiro de 2012

Quando o impensável é escrito: Aleitamento materno prejudica a eficácia das vacinas !


Um conjunto de pediatras lembrou-se de estudar o facto de algumas vacinas serem menos eficazes nas crianças dos países sub-desenvolvidos em relação às dos países industrializados. Até aqui tudo bem.

Chegaram à conclusão que a presença de grandes quantidades de IgA no leite materno inibe a eficácia das vacinas administradas. Até aqui, continua tudo bem.

O inacreditável está na conclusão do estudo: para eliminar esse problema, o aleitamento materno deveria ser atrasado de maneira a que as vacinas possam produzir o seu efeito.

 
 
 Este estudo, publicado pelo "The Pediatric infectious disease journal", pode ser lido aqui: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20442687?dopt=Abstract

Desde há muito tempo, que sabemos que o leite materno é o meio mais seguro e eficaz para reforçar o sistema imunitário do recém-nascido. Também está provado que as crianças amamentadas são mais resistentes às infecções, nomeadamente otites e gastroenterites.

Vários mecanismos imunológicos e não-imunológicos contidos no leite materno opõem-se à proliferação bacteriana. Um desses mecanismos são os anticorpos.


Nota:
Anticorpos: são moléculas produzidas pelo nosso organismo pelo desencadear do mecanismo de defesa imunitária específica, em resposta à presença de um dado antigénio.

Antigénios: são moléculas estranhas ao organismo que, quando surgem no interior deste, levam ao desencadear de mecanismos de defesa, nomeadamente, de anticorpos. 

Sem querer entrar muito em pormenores, é de salientar que apesar do recém-nascido ter uma quantidade reduzida de anticorpos, ele não necessita deles em grandes quantidades, em condições fisiológicas normais, dado estar sujeito a estímulos antigénicos fracos. 

No entanto, além dos anticorpo fornecidos pela mãe durante a gravidez por via trans-placentária, o leite materno contém uma grande quantidade de anticorpos específicos que vem assim preencher a fraca produção do recém-nascido. 

Sob a influência dos estímulos antigénicos externos, quando a criança chega a um ano de idade, já possui cerca de 80% da quantidade que terá na idade adulta. E isto tudo de uma forma perfeitamente natural.

Portanto preconizar a suspensão do aleitamento materno para aumentar a suposta eficácia de vacinas de que a criança não necessita, não passa de um grande disparate. 
 
Por: OCTOPUS

24 de novembro de 2011

ACHAM QUE A ELECTRICIDADE ESTÁ CARA?....

O QUE PAGAMOS NA FACTURA DA ELECTRICIDADE....

Caros amigos:
Vocês por acaso sabem o que pagam na factura da electricidade? 
Eu também fiz a mesma pergunta antes de saber o que andamos a pagar. 
Vejam, neste exemplo duma factura de cerca de 66,50 €.
O que se paga:
- 3,8 €, correspondentes a 6% do IVA (vamos passar  a pagar 23%);
- 4,5 €, correspondente a 7% de Taxa para a RDP e RTP (para que Malatos, Jorge Gabrieis, Catarinas Furtados e quejandos possam receber mais de 10.000 euros por mês;
- 35,6 €, para subsídios vários, que correspondem a 53% do total da factura (em 2011 estes subsídios vários já atingiram 2.500 M€. Para não se perderem são dois mil milhões de Euros)
- 22,6 € correspondente realmente ao EFECTIVO consumo efectuado, ou seja 34% do total da factura. Desta forma, apenas consumimos 22,6 € de electricidade, mas pagamos no total 66,50 €.
Mas agora vamos ver o que são os subsídios vários, ou seja, os 53% do total da factura que pagamos, e que este ano já vão em 2.500 M€. 
Permaneçam sentados para não caírem de cu:
3% são a harmonização tarifária para os Açores e Madeira, ou seja, e um esforço que o país (TODOS NÓS) fazemos pela insularidade, dos madeirenses e açorianos, para que estes tenham electricidade mais barata. Isto é, NÓS já pagamos durante 2011, 75 M€ para aqueles ilhéus terem a electricidade mais barata!!!!!!!!!!!!!!!  E depois vem a besta do Alberto João Jardim VOMITAR em cima de nós todos e morder na mão que lhe dá o pão.
- 10% para rendas aos Municípios e Autarquias. Mas que merda vem a ser esta renda? Eu explico: a EDP (TODOS NÓS) pagamos aos Municípios e Autarquias uma renda sobre os terrenos, por onde passam os cabos de alta tensão. Isto é, TODOS NÓS, já pagamos durante 2011, 250 M€ aos Municípios e Autarquias por aquela renda.
- 30% para compensação aos operadores. Ou seja, TODOS NÓS, já pagamos em 2011, 750 M€ para a EDP, Tejo Energia e Turbo Gás.
- 50% para o investimento nas energias renováveis. Aqueles incentivos que o Sócrates deu para o investimento nas energias renováveis e que depois era descontado no IRS, também o pagamos. Ou seja, mais uns 1.250 M€.
- 7% de outros custos incluídos na tarifa, ou sejam 175 M€Que custos são estes? São Custos de funcionamento da Autoridade da Concorrência, custos de funcionamento da ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Eléctricos), planos de promoção do Desempenho Ambiental da responsabilidade da ESE e planos de promoção e eficiência no consumo, também da responsabilidade da ERSE.
Estão esclarecidos? Isto é uma vergonha. NÓS TODOS pagamos tudo!
Pagamos para os açorianos e madeirenses terem electricidade mais barata, pagamos aos Municípios e Autarquias, para além de IMI's, IRS's, IVA's em tudo que compramos e outras taxas... somos sugados, chupados, dissecados...
Passem a todos os v/ amigos e conhecidos.
Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que às vezes fico pensando, se a burrice não será uma ciência. 
                                                                                               
                                                                                             
'' António Aleixo''

4 de novembro de 2011

Entre a tolerância e a repressão absoluta

                                                              Corpos de Alugar
     É uma constante da história da humanidade, mas sempre escandalizou os bem-pensantes.
A sexóloga Valéri Tasso, num artigo magnífico na SUPERinteressante 163/Nov/2011 (Edição Portuguesa) recorda as metamorfoses históricas da prostituição.


Certo dia, Keith Chen, professor associado de economia na Universidade de Yale (Estados Unidos), tentou ensinar a alguns símios o que era o dinheiro. Assim, reuniu sete macacos capuchinhos e fê-los conviver numa jaula grande e semi-aberta. Regularmente, oferecia-lhes um disco de metal perfurado no meio e propunha-lhes um acordo: de cada vez que um dos primatas lhe devolvesse a peça, dava-lhe uvas ou quadradinhos de gelatina em jeito de recompensa. Os animais entenderam facilmente o jogo, mas o economista norte-americano começou a complicar as coisas: aumentou o número de moedas necessário para obter o brinde alimentar e oferecia diferentes petiscos a preços distintos, até que um dos macacos, chamado Félix, foi directamente à fonte dos discos metálicos e pegou nos doze que iam ser distribuídos pelos seus congéneres. Quando os investigadores entraram na jaula, os símios recusaram devolvê-los, demonstrando que conheciam o valor dos bens para efectuar a troca. Todavia, o aspecto mais curioso foi o que aconteceu num canto da jaula, quando Chen observou um macho a entregar uma das moedas a uma fêmea. Pensou, instantaneamente, no altruísmo do gesto, mas verificou que os dois animais se punham, de imediato, a praticar sexo com entusiasmo. Quando o ato carnal terminou, a fêmea aproximou-se de Chen e comprou-lhe um cacho de uvas. Acabava de se prostituir?
Uma surpresa semelhante aguardava os etólogos Lloyd Davis, da Universidade de Otago (Nova Zelândia), e Fiona Hunter, da Universidade de Cambridge (Reino Unido), quando estudavam uma colónia de pinguins-de-adélia na Antárctida. Devido à humidade existente na zona, as aves vêem-se obrigadas a construir os ninhos sobre montículos de pedrinhas. O problema é que os seixos não abundam por ali, pelo que constituem um bem precioso. A reacção habitual perante a escassez de matéria-prima é o roubo. Assim, quando um exemplar se aproxima do local de nidificação de outro e tira pedras, dá origem ao previsível conflito no seio da comunidade. No entanto, os cientistas observaram que algumas fêmeas voltavam com os troféus sem que a ordem social do grupo se alterasse. Concentraram a atenção num destes exemplares femininos e constataram que obtinha pedrinhas sem entrar em disputa com os seus proprietários em troca de acasalar com eles. Nesse caso, as fêmeas de pinguim também se prostituem?
Por prostituição, queremos dizer a actividade profissional que consiste na prestação de um serviço de carácter sexual a troco de uma retribuição económica. Que os seres humanos, os pinguins, os macacos capuchinhos ou os dragões-de-komodo executem todas as suas acções a pensar numa recompensa (económica, moral, intelectual, neurótica) é algo mais do que evidente. Sem a possibilidade de satisfação, não há acto.
                                                        Por interesse te quero
Quando nos juntamos com alguém (e essa união também inclui, obviamente, os corpos), a aspiração de benefício está sempre subjacente. Tanto faz se o laço é formalmente consagrado como matrimonial ou não, se for estabelecido “para toda a vida” ou durar apenas uma noite, ou se o estado emocional que o promoveu é um desejo libidinoso ou um amor sublime (não será este o apogeu do anseio de recompensa?). O certo é que, por detrás de qualquer associação, há sempre uma expectativa de gratificação; quando esta não é cumprida e achamos que não iremos obtê-la ou procuramos outro tipo de compensação, a ligação dissolve-se: põe-se fim à relação ou o amor acaba.
Encontro no Mosteiro


... O comércio carnal possui múltiplos rostos, desde os anúncios mais sórdidos à sofisticação dos lugarejos de luxo.
…Durante a Baixa Idade Média, houve uma certa permissividade e alguns conventos ofereciam os serviços de meretrizes.
… Na origem, as cortesãs eram mulheres de condição humilde mantidas por nobres. Algumas não se destacaram apenas pelas artes eróticas.





A história de algumas grandes mulheres ficou associada ao exercício da prostituição, por vezes com fundamento; outras, para difamar os respectivos méritos.

Aspásia de Mileto (século V a.C.) - O seu nome será sempre associado ao de Péricles, que seduziu no papel de Hetera, uma prostituta de nível superior. Mulher brilhante de vasta cultura e retórica requintada, frequentou e protegeu os maiores intelectuais da época, de Sócrates a Platão. A sua figura inspirou escritores, historiadores e pensadores.
Friné em frente ao Areópago, 1861,Jean-Léon Gérôme.

Friné (século IV a. C.) - Alcunha da cortesã beócia Mnésareté. Foi amante e musa do escultor Praxíteles, que a escolheu para modelo da sua Afrodite de Cnido, talvez a primeira escultura grega em que uma deusa surge quase nua. Acusada de perversão e falta de pudor, foi defendida pelo maior retórico da época, Hipérides. O orador, ao perceber que os seus argumentos não convenciam, pediu a Friné para tirar a roupa. Os juízes absolveram-na, pois não se atreveram a privar o mundo da sua beleza.


Taís (século IV a.C.) - Embora tivesse sido contratada pelo soberano egípcio Ptolomeu I para o acompanhar na campanha de Alexandre Magno contra os persas, acabou por partilhar os seus encantos com ambos. São atribuídos a Taís acontecimentos como o incêndio de Persépolis. Em A Divina Comédia, Dante condenou-a a habitar o Oitavo Circulo do Inferno.
Maria Madalena





Maria Madalena (século I) - Figura conceptual, mais do que histórica, mencionada no Novo Testamento e em evangelhos apócrifos. Foi discípula e talvez companheira de Jesus. Representa a figura da prostituta redimida pela mensagem de Cristo.
Messalina (século I) - Esposa e conselheira do imperador Cláudio, dizia-se que, não contente com os seus inúmeros amantes, se prostituiu num bairro humilde de Roma. Teria também desafiado o grémio de cortesãs para ver quem era capaz de satisfazer mais homens numa noite. Venceu. Foi decapitada quando se descobriu que instigou uma conspiração contra o marido.
Teodora (século VI) - Passou de humilde prostituta a imperatriz bizantina. Sob o reinado do marido, Justiniano I, promulgou a primeira legislação de que se tem conhecimento sobre o aborto, além de uma lei do divórcio que permitia ser a mulher a pedi-lo. No entanto, o historiador Procópio descreve-a como sendo um animal luxurioso guiado por instintos carnais.
Madame de Pompadour (século XVIII) - Esta cortesã do reinado de Luís XV de França adquiriu o título de duquesa e marquesa de Pompadour e marquesa de Menars. Culta e sofisticada, protegeu os enciclopedistas.
Madame Claude (século XX) - Nascida com o nome de Fernande Grudet, em 1923, fundou um bordel de luxo em Paris, nos anos 60. Foi a primeira a fazer com que as suas mulheres comparecessem em encontros sexuais em qualquer parte do mundo mediante marcação telefónica prévia, criando assim o termo (ainda utilizado) de call girl.

...A família tradicional, por exemplo, essa unidade cultural tão profundamente enraizada na nossa couraça social, política e económica (e que, como um dos pilares de suporte, sustenta o imenso edifício moral que criámos), é também a viga que define e suporta o ofício da prostituição. Não é por acaso que ambas as instituições possuem a mesma antiguidade.
No entanto, a erradicação do comércio carnal (tal como o definimos no início), no caso de ser naturalmente possível, passaria irremediavelmente pela necessidade de construir a sociedade de outra forma, por procurar novas arquitecturas. Por outro lado, para a regulamentação ser eficaz e plácida, terá de ser acompanhada pela adopção de uma postura moral (cultural) que a legitime plenamente.
Enquanto nem uma coisa nem outra se verificarem, continuaremos mergulhados na insensatez e na desordem; e a meretriz (nome que provém etimologicamente do latim mereo, "merecedora do que ganha") será uma excluída necessária, em vez de uma recordação do passado ou de uma profissão assumida. 


Artigo Completo: SUPERinteressante Nº163 Novembro 2011 (Edição Portuguesa)


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